a regra dos três segundos.

Largo da Batata no último sábado: “Saiu de controle,” disse o secretário do Dória.

Sábado acordei com o celular apitando uma porção de mensagens querendo saber “qual o bloco pra ir hoje?”

A Gaía de 2015 não entenderia nada, mas a de 2018 entende: geral quer fervo. E quer tanto que nem se incomoda em pedir ~dicas pruma mirim de Carnaval que nem eu.

Acontece que fiquei muito tempo sem gostar de Carnaval. Daí voltei e abracei a festa com voracidade e agora gosto muito, muito mesmo, de abraçar o encosto de chacrete e de cantar NÃO DEIXE O SAMBA MORREEEEEEEEEER na avenida de braços abertos vestindo maiô e repartindo vidrinhos de glitter com estranhos. Existe aqui uma mistura de inexperiência com deslumbre que de alguma forma serve de inspiração pra turma que é tão mirim de Carnaval quanto eu.

#VEMGENTE

Tudo bem, acho.

Daí na segunda-feira o assunto mudou de fuá pra pegação. Isso porque na análise pós-festinha de arromba de sábado uma amiga pediu "me ajuda a beijar mais no Carnaval?". Também outro dia um amigo perguntou “como é que os caras chegam em você no Carnaval?”. O Chico Barney foi a campo para determinar: as pessoas não se pegam no Carnaval em São Paulo e a Eva Uviedo fez uma enquete sobre o quanto as pessoas beijam ou não nos blocos em São Paulo.

Pra amiga tive que explicar a regra dos três segundos (se você não sabe, é assim: se segurou o olhar mais de três segundos pode chegar e não precisa ficar no probleminha se tomar um não). Pro amigo eu tive que explicar que, errrrr… realmente, não chegam muito, não, as meninas chegam mais, sempre na linha "oi, você beija mulher?" e/ou "a minha amiga ali quer te beijar". Pro Chico só posso dizer: você estava no lugar errado, querido, sai da Faria Lima plmdd. E na enquete da Eva votei que beijo zero, o que é meia mentira porque já beijei estranho em bloco, sim, mas no geral saio pra rua pra sambar e rir e ser exagerada e isso não significa estar disposta a pegar (ou ser pega por) qualquer um/a. Se tivesse a opção na enquete eu escolhia: "até beijo, amor, mas não significa que quero te beijar."

É que não acredito na obrigação dessa disponibilidade específica pra me divertir. E acho que muitas se sentem assim esse ano, tanto que #NãoÉNão é o mote do Carnaval 2018. Às vezes você não quer e tudo bem, segue o bloco (literalmente). Se você quer, tudo bem também, com certeza vai achar umas bocas dispostas aí, independente de gênero. Lembra da regra dos três segundos e que qualquer coisa depois de "não" é assédio.

inclusive não levo nada pra casa também, só glitter

Ah sim, sobre a dica de onde ir: fiz como em Carnavais passados e marquei com todo mundo no Ritaleena, que é pequeno e tranquilo (apesar de desgostar bem dessa coisa de “musica de fulano em versão Carnaval”) além de estar perto de metrô e ser fácil de cair pro Centro. Só não estava contando com a catarse e clima de armageddon da folia do bloco Casa Comigo ali na Batata. Então não encontrei ninguém porque, bom, veja a foto no começo do post. Eu e minha parceira de Carnaval desse ano conseguimos subir de volta pra Paulista sem maiores dramas, acompanhamos o Desculpa Qualquer Coisa ali na Augusta e depois descemos pro melhor bloco do mundo, que acontece no sábado pré-carnaval na praça Dom José Gaspar e que depois que escureceu continuou dentro de um bar até o momento em que meu encosto de chacrete achou que o clima estava adequado para sambar em cima do balcão e daí mandaram desligar o som.

Fim, por enquanto. Sábado tem mais.

PS: como não ser idiota no Carnaval paulistano nesse post que fiz pro I Hate Flash e uma extensa lista de opções pro feriado nessa edição da newsletter da Nina Bamberg.

PS 2: “ai, mas o Carnaval de Muzambinho do Norte é muito melhor que o de SP”… Foda-se, não perguntei.

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https://linktr.ee/GaiaPassarelli

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